No ano passado, a Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil) em parceria com a Humanizadas divulgou o Panorama da Sustentabilidade Corporativa 2025, e os números merecem atenção de qualquer empresa que pense no futuro. O levantamento ouviu 401 executivos de empresas que somam mais de 505 mil colaboradores e um faturamento anual de R$ 2,9 trilhões.
Os resultados mostram uma virada importante no mercado brasileiro. Pela primeira vez, as empresas com práticas sustentáveis estruturadas se tornaram maioria no país, saltando de 71% para 76% das companhias. Mais significativo ainda foi o salto na incorporação da sustentabilidade à estratégia de negócio: 72% dos entrevistados afirmaram que o tema faz parte do planejamento estratégico das suas empresas. Em 2024, esse número era de 34%. Em 2023, apenas 26%. A evolução em dois anos foi expressiva.
Outro dado relevante mostra que 48% das empresas passaram a realizar benchmark e avaliações externas das suas práticas sustentáveis, contra 27% no ano anterior e 20% em 2023. Isso significa que as companhias estão olhando para fora, comparando suas iniciativas com as do mercado e buscando referências sólidas para evoluir.
A pesquisa também identificou os principais desafios que ainda precisam ser superados. 58% dos executivos veem a necessidade de comprovar que sustentabilidade gera retorno financeiro. 54% afirmam ser preciso engajar líderes e executivos na agenda sustentável. 44% apontam a integração da sustentabilidade à estratégia, cultura e modelo de negócio como prioridade. E 43% destacam a criação de incentivos e atração de investimentos sustentáveis.
Do lado das oportunidades, 51% dos entrevistados relataram aumento de investimentos em energia limpa e descarbonização. 52% mencionaram o surgimento de métricas e relatórios mais confiáveis e padronizados. Mais da metade (51%) espera que avanços tecnológicos e inteligência artificial ajudem a medir e impulsionar a sustentabilidade focada nos negócios.
Os executivos também indicaram o que esperam do poder público para acelerar essa transformação. Em primeiro lugar, ampliar incentivos fiscais e linhas de crédito para empresas sustentáveis. Depois, melhorar a infraestrutura sustentável e apoiar novas tecnologias limpas, como energia solar e eólica, além de negócios ligados à economia circular e manejo de resíduos. Reduzir incentivos a práticas poluentes e precificar emissões de carbono também apareceu como prioridade.
O recado da pesquisa é que a sustentabilidade deixou de ser pauta de departamento e virou estratégia de negócio. As empresas que já entenderam isso estão investindo, medindo resultados e colhendo frutos. As que ainda tratam o tema como custo ou obrigação correm o risco de ficar para trás.
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Fonte: CNN Brasil


