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Quando reciclagem vira lucro: como gigantes de embalagens fecham o ciclo e ganham dinheiro com isso

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O Brasil recicla apenas 4% do seu lixo. É um número que deveria envergonhar qualquer país que se considere desenvolvido. Mas enquanto a maioria das empresas ainda trata reciclagem como obrigação legal, algumas gigantes descobriram algo que muda completamente o jogo: quando você estrutura reciclagem com inteligência, ela deixa de ser custo e vira receita.

A Revista Exame conversou com Coca-Cola, Natura, Boticário e Unilever — empresas que juntas colocam no mercado milhões de toneladas de embalagens anualmente — e revelou uma corrida acelerada para fechar o ciclo dos materiais. Não é ambientalismo puro. É negócio.

A Amazônia que volta em forma de produto

A Natura começou cedo. Pioneira na adoção de embalagens refis em 1983, a companhia de cosméticos estabeleceu uma meta ambiciosa: se tornar 100% regenerativa até 2050. Mas o que chama atenção é o que está acontecendo agora, no presente.

Desde 2020, o Programa Natura Elos já reciclou mais de 41,2 mil toneladas de materiais. Mobiliza 58 cooperativas parceiras apenas no Brasil, reunindo mais de 2,5 mil catadores. Anualmente, incorpora mais de 15 mil toneladas de materiais reciclados nas embalagens e materiais da empresa.

Na Amazônia, onde atua há mais de duas décadas, o projeto Rios Vivos é quase poético em sua execução. Mobiliza 10 comunidades ribeirinhas e quatro cooperativas de reciclagem no Amazonas e Pará, impactando mais de 680 famílias na coleta de resíduos plásticos diretamente dos rios. O resultado aparece em produtos como o frasco de hidratante de castanha da linha Ekos, feito 100% com este plástico recuperado e com redução de 81% no uso de material.

Em Belém, uma ecobarreira instalada em parceria com a prefeitura municipal coleta 400 quilos de resíduos por dia, retendo plásticos em canais urbanos antes que cheguem aos oceanos. Os materiais seguem para reciclagem e reaproveitamento industrial, inclusive como insumos para construção civil em parceria com a startup Seixos Plásticos.

Quando o lixo vira mobiliário de loja

O Boticário tomou um caminho diferente. Desde 2006, opera o Boti Recicla, o maior programa de logística reversa em pontos de coleta do setor de beleza no Brasil. Com mais de 4,5 mil pontos que recebem embalagens de qualquer marca, o volume coletado cresceu 85% em 2024 comparado a 2023 e beneficiou mais de 500 catadores.

Mas a inovação real está no fechamento do ciclo. O material coletado é transformado em chapas sustentáveis que substituem MDF nos mobiliários das lojas. Cada uma das 100 lojas sustentáveis da marca leva em sua estrutura cerca de uma tonelada de plástico reaproveitado. É uma forma criativa de demonstrar que resíduo tem valor quando você sabe o que fazer com ele.

Quando a meta é superada antes do prazo

A Unilever já ultrapassou sua meta de logística reversa. Desde 2024, coleta e processa o equivalente a 115% do peso de todas as embalagens plásticas que comercializa no Brasil, com um ano de antecedência em relação ao compromisso global. Não é um número qualquer. É a prova de que quando você investe em estrutura, os resultados vêm.

Entre 2018 e 2024, reduziu 57 mil toneladas de plástico virgem em suas embalagens, evitando a emissão de 100 mil toneladas de CO₂. Atualmente, 37% do plástico usado nas embalagens já é reciclado, e produtos como garrafas de amaciante Comfort, sabão líquido OMO e potes de máscara TRESemmé têm embalagens 100% com plástico reciclado. A empresa firmou parcerias de longo prazo com empresas de coleta e processamento, com auditoria independente que certifica volume, origem e conformidade ambiental, legal e trabalhista.

O PET que fecha o ciclo no Norte e Nordeste

A Coca-Cola aposta na neutralidade do PET. No Norte e Nordeste, a Solar Coca-Cola está próxima de um marco: a neutralidade total de PET em 2025 no Pará, assim como já ocorre no Rio Grande do Norte, Bahia e Ceará. O projeto Recicla Solar, iniciado em 2021, já destinou mais de 50 mil toneladas de PET pós-consumo para reciclagem em 12 estados.

Recentemente, lançou uma parceria para construir uma fábrica de reciclagem em Ananindeua (PA), com capacidade para transformar até 1.000 toneladas de PET por mês. É um investimento que demonstra confiança real no mercado de reciclagem, não apenas promessas de sustentabilidade.

O gargalo que todas enfrentam

Mas existe um desafio comum que todas essas gigantes enfrentam: a economia ainda não favorece completamente a circularidade. A resina reciclada custa mais que a virgem, invertendo a lógica econômica que deveria incentivar a reciclagem. Além disso, fazer o resíduo chegar às cooperativas é um desafio anterior ainda mais básico. Muitos municípios não fazem a destinação adequada, e é preciso coletar o lixo na porta das pessoas de forma separada e encaminhar os materiais recicláveis para as cooperativas.

O novo decreto federal estabelecendo metas obrigatórias de reciclagem até 2040 pode ser o ponto de virada. Ao priorizar cooperativas de catadores e criar um mercado mais competitivo para a resina reciclada, tem o potencial de transformar a reciclagem em um negócio verdadeiramente viável e inclusivo.

A lição que fica

A lição que essas gigantes deixam é clara: quando você estrutura reciclagem com inteligência, rastreabilidade e parcerias sólidas, ela deixa de ser custo e vira receita. Deixa de ser obrigação e vira oportunidade.

A Dinâmica Ambiental trabalha justamente nessa lógica. Estruturamos sistemas de logística reversa, gestão de resíduos e descaracterização de produtos com a mesma visão que essas gigantes: transformar o passivo ambiental em solução viável, rastreável e economicamente inteligente. Se sua empresa quer fechar o ciclo dos materiais e descobrir que sustentabilidade é também rentabilidade, fale com a gente.

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