A economia circular vem deixando de ocupar um espaço apenas conceitual para fazer parte da rotina da indústria brasileira. Segundo pesquisa de 2026 da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 57% das empresas já adotam pelo menos uma prática relacionada ao modelo circular, que busca aproveitar melhor os recursos, reduzir desperdícios e manter materiais e produtos em uso pelo maior tempo possível.
Essa transformação aparece de diferentes formas dentro das operações. Redesenho de processos para diminuir a geração de resíduos, incorporação de materiais reciclados, manutenção e reparo de produtos, logística reversa e recuperação de materiais são algumas das iniciativas que já fazem parte das estratégias industriais. Mais do que uma resposta às demandas ambientais, essas práticas começam a ser associadas também à eficiência operacional.
Os próprios dados ajudam a explicar esse movimento. Para 40% das empresas pesquisadas pela CNI, a redução dos custos operacionais está entre os principais benefícios esperados com a economia circular, enquanto outros 40% afirmam já obter retorno financeiro com a adoção dessas práticas. Além disso, 57% reconhecem que a circularidade pode contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Outro fator que tende a acelerar essa mudança é a construção de um ambiente mais favorável à circularidade no país. O Plano Nacional de Economia Circular, aprovado em maio de 2025, estabeleceu ações voltadas à criação de políticas públicas, definição de critérios regulatórios, desenvolvimento de indicadores e estímulo a cadeias produtivas mais circulares. Ao mesmo tempo, inovação, novas tecnologias e maior atenção ao uso de matérias-primas ampliam as possibilidades para que empresas incorporem esses princípios aos seus processos.
O avanço da economia circular mostra, portanto, uma mudança na forma como a indústria enxerga os recursos utilizados ao longo da produção. Materiais que antes representavam apenas descarte passam a ser considerados dentro de uma lógica de reaproveitamento, eficiência e geração de valor. À medida que benefícios ambientais e econômicos começam a caminhar juntos, a circularidade ganha espaço não apenas como compromisso sustentável, mas como parte da estratégia das empresas para os próximos anos.
Fonte: CNI





