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Risco climático também é risco de negócio: empresas começam a rever operações e cadeias de fornecimento

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Uma enchente pode interromper uma fábrica, bloquear uma rodovia ou impedir que um fornecedor entregue matéria-prima. Uma seca prolongada pode afetar a disponibilidade de água, energia ou determinados insumos. Quando situações como essas acontecem, o impacto não permanece restrito ao local atingido: ele pode avançar por toda a cadeia de fornecimento e chegar a empresas localizadas a centenas de quilômetros de distância.

Uma análise do Banco Central sobre eventos climáticos extremos no Brasil mostrou justamente esse efeito. Ao estudar os 30 maiores eventos ocorridos entre 2020 e 2021 e as relações de pagamento entre empresas, pesquisadores identificaram mudanças nas relações comerciais após os desastres. Empresas de outras regiões reduziram transações com fornecedores atingidos e, em determinados casos, passaram a buscar parceiros que não haviam sofrido os mesmos impactos. O movimento mostra como o risco climático pode se transformar rapidamente em risco operacional e comercial.

Essa preocupação também começa a aparecer de forma mais estruturada na gestão empresarial. A IFRS S2, norma internacional voltada à divulgação de informações relacionadas ao clima, considera como riscos físicos tanto eventos extremos — como enchentes, tempestades, secas e ondas de calor — quanto alterações de longo prazo nos padrões climáticos. Entre os possíveis efeitos estão danos a instalações, interrupções na cadeia de suprimentos, alterações no transporte e dificuldades relacionadas à disponibilidade de recursos naturais.

No Brasil, um estudo publicado pelo Banco Central em abril de 2026 reforça a dimensão financeira dessa exposição. A pesquisa cruzou informações de mais de seis milhões de empresas com mapas de risco de inundação e identificou que, embora a exposição média do sistema seja relativamente baixa, existem concentrações relevantes de crédito em regiões sujeitas a perdas mais elevadas. Isso evidencia que a localização de instalações, fornecedores e parceiros pode ter implicações que ultrapassam a gestão ambiental e chegam ao planejamento financeiro.

Por isso, conhecer a vulnerabilidade dos fornecedores, diversificar fontes de abastecimento, mapear instalações expostas, revisar rotas logísticas e criar planos de continuidade tende a ganhar importância dentro das estratégias empresariais. A adaptação climática deixa de estar associada somente à proteção ambiental e passa a envolver a capacidade de manter uma operação funcionando diante de cenários cada vez mais incertos.

O risco climático, portanto, não está apenas no futuro e nem necessariamente dentro dos limites físicos de uma empresa. Ele pode surgir em qualquer ponto da cadeia e produzir reflexos sobre custos, produção, prazos e receitas. Entender essas conexões é um passo importante para construir operações mais preparadas para responder às mudanças do clima.

Fontes: IFRS, MCTI, GOV.BR

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